12
agosto

Artigo – Por Adriano Oliveira


SÉRGIO MORO: O ESTRATEGISTA?

 

Sérgio Moro construiu brilhante carreira como magistrado. Em razão da Lava Jato ganhou popularidade e entrou na lista de presidenciáveis. Quando juiz da Lava Jato foi duro, firme. Não perdia um momento para verbalizar as suas posições. Moro, assim como bem revela os diálogos entre atores divulgados pelo Intercept, foi um exímio estrategista na condução da Lava Jato.

Jair Bolsonaro fez a opção de colocar Sérgio Moro no Ministério da Justiça. Moro acreditou que a ida para o governo era escolha ótima. Talvez, o ex-magistrado tenha vislumbrado que o governo Bolsonaro era o trampolim adequado para a presidência da República ou o STF.

Moro no decurso da Lava Jato desprezou políticos e o STF. Quando juiz, Sérgio Moro não precisava dialogar para convencer o outro. Agir era o suficiente. Amigos ou colaboradores não são tão importantes no exercício da magistratura. Na política é. A atividade política requer diálogo, cooperação, concessão. Na política, o desprezo machuca.

Como ministro, Sérgio Moro frequentou o Congresso. Dialogou. Tentou aprovar, o quanto mais rápido, o seu projeto para a segurança pública. Até o instante, não conseguiu. E tende a não conseguir. O passado de Moro possibilita com que variados políticos não confiem nele. Quantas delações premiadas liberadas? Quantas conduções coercitivas? Certamente, atores lembram da fase áurea da Lava jato.

O presidente da República não gostou, segundo a imprensa, do chefe do COAF ter criticado a decisão do ministro Dias Toffoli. Para Bolsonaro, o COAF precisa de autorização judicial para investigar. Sérgio Moro, defensor do COAF sob a sua tutela, não opinou quanto ao posicionamento do presidente.

Recentemente, Jair Bolsonaro disse que não existe pressa para aprovação no Congresso do projeto de Sérgio Moro. O STF, em quase a sua totalidade, não autorizou a transferência do ex-presidente Lula para uma prisão no estado de São Paulo. O COAF está no Ministério da Economia e pode ir para o Banco Central.

Hoje, repito, hoje, Bolsonaro controla o futuro de Moro. Pode enviá-lo para qualquer lugar, inclusive para fora do governo. Mas Sérgio Moro ainda tem uma carta na manga, qual seja: a sua popularidade não declinou fortemente. Ela ainda tem o poder de causar algum estrago.

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