01
julho

Política regada a polêmica


“O Gigante Acordou”. Será?

 

Euzébio Pereira Neto é advogado e presta Assessoria Parlamentar. Foi presidente e diretor na União dos Estudantes de Santa Cruz do Capibaribe (UESCC). Começou a escrever e compartilhar seu “Ponto de Vista” na imprensa digital em 2008, tendo criado, posteriormente, uma página pessoal, o Blog Ponto de Vista.

Todos têm visto (e até participado) das manifestações que tem acontecido por todo o Brasil, que há mais de duas semanas eclodiram com as “vozes da rua” pedindo mudanças do poder público nos mais variados segmentos.

 

O problema é que muitos estão eufóricos com o “gigante que acordou”, mas quando analisamos os ganhos obtidos com as manifestações, percebemos que as conquistas foram muito tímidas e com um risco de inverter a situação: o povo na rua deixa de ser solução e passa a ser culpado pelas mazelas do país. Hoje o povo é o responsável de forma indireta.

 

A derrubada da PEC 37 (em uma reunião que mais parecia um circo na Câmara dos Deputados), a transformação da corrupção em crime hediondo ou o anúncio de 50 bilhões em investimentos em mobilidade urbana estavam previstos, tendo sido apenas uma resposta para acalmar os ânimos. E funcionou, pois a maioria dos que estavam na rua querem mudança, mas não têm histórico de mobilização ou de discussão política para definir como e quais as mudanças são necessárias, assim são facilmente enganados pelos governantes e políticos que tanto foram criticados.

 

E, tendo em vista que os pedidos foram tão genéricos e simples, foi fácil para o governo “atender a demanda”.

 

A reforma política é sim fundamental, mas colocar esta responsabilidade nas mãos do povo (que em sua maioria não tem discernimento para decidir) é o mesmo que deixar as ovelhas aos cuidados dos lobos, pois o povo será induzido ao erro, por aqueles que estão atualmente no comando.

 

Por isso, entendo que a melhor alternativa para esta proposta seria se criar um grupo, composto de juristas, estudiosos, instituições e legisladores para elaborar uma proposta e, após, passar pelo referendo da população, tendo em vista que, como disse antes, se a população decidir sem os discernimentos necessários, poderá ficar refém de sua própria (mau) escolha, tal como acontece atualmente com os votos que esta mesma população dá em políticos corruptos, picaretas e mau caráter que estão ocupando cargos eletivos atualmente.

 

Infelizmente, muitas questões fundamentais não foram lembradas, tal como a taxação das grandes riquezas, a democratização dos meios de comunicação, o endurecimento das legislações que tratam da corrupção (e não somente dizer que é crime hediondo, quando os políticos sempre conseguem prolatar seus julgamentos com manobras), dentre outros temas.

 

Um ponto extremamente positivo que vejo é que o povo foi para rua e isso é o inicio para uma participação mais efetiva (que é o que defendemos), mas não devemos cair na facilidade de acreditar que “o gigante acordou”, quando percebemos que não é bem assim.

 

O conteúdo dos artigos é de responsabilidade dos seus escritores e não representa necessariamente a opinião deste Blog.

4 Comentários

  1. Marcos disse:

    Quero parabenizar o companheiro Euzébio pela coerência em sua matéria. O que temos visto na maioria das manifestações é uma participação popular sem ideal definido. O pior é que muitos se tornam massa de manobra e não se avança pois não se um rumo pré estabelecido.

  2. Fabio Filho disse:

    QUANDO SERÁ QUE EUZÉBIO IRA COMENTAR SOBRE O ESCÂNDALO DAS LOCAÇÕES, JÁ QUE ELE É TÃO CRÍTICO AS CORRUPÇÕES.

  3. Dagoberto disse:

    Gostaria de dizer o quanto é importante entender de política é difícil e para alguns que lançam como comentarista sem base quase nenhuma se diz a favor de um protesto e depois fala que este mesmo protesto é sem rumo, interessante notar quando o próprio comentarista é partidário e parcial, não sei mas, tendo como prerrogativas a imparcialidade deveria se pelo o menos dizer que a verdade é que quando se protesta contra o governo do qual se faz parte diz que fica sem coerência, isto é incrível!

  4. Manoel Amaro disse:

    As redes sociais escancararam a mediocridade do povo.

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