31
julho

Artigo – Por Adriano Oliveira


A REELEIÇÃO DOS GOVERNADORES

 

A crise econômica influenciará a escolha do eleitor na eleição vindoura para governo do Estado? A Ciência Política procura causas. No caso, o que causa B. A causa de B é A. Este raciocínio deve estar presente na mente dos estrategistas e analistas que desejam prever e agir na futura disputa eleitoral.

Tenho a hipótese, já comprovada na última eleição para prefeito, de que a crise econômica favorece o gestor candidato à reeleição. O seguinte mecanismo causal, mas não determinista, foi observado: A crise econômica (variável independente) criou eleitores tolerantes com o prefeito candidato à reeleição (variável dependente). O eleitor tolerante é compressivo e tem maior probabilidade de perdoar o incumbente pelas promessas não cumpridas.

Para a crise econômica influenciar o eleitor, uma sábia narrativa precisa ser construída. Na eleição municipal, diversos prefeitos candidatos à reeleição narrou para o eleitor “que mesmo em época de crise econômica, ele fez, e que não fez mais em razão da crise econômica”. Essa narrativa influenciou parte do eleitorado a ser compreensivo e tolerante, e, por consequência, ocorreu a reeleição do alcaide.

O mecanismo observado na recente eleição municipal poderá ser verificado na vindoura disputa eleitoral para governos estaduais. Entretanto, não desprezo, de modo algum, outras variáveis causais, além da crise econômica, que podem influenciar a escolha do eleitor.

Pesquisas realizadas na disputa municipal em diversas cidades no ano de 2016 revelaram que a crise econômica contribuiu para novo sucesso eleitoral do prefeito. Contudo, o prefeito não estava fortemente reprovado. Isto é: A avaliação da gestão do prefeito foi o ponto de partida para o novo sucesso eleitoral. A crise econômica, por si só, não garante à reeleição.

Governadores fortemente reprovados conseguirão recuperar popularidade em razão da crise econômica? Esta é a dúvida que tenho neste instante. Governadores sábios, mesmo ciente dos efeitos positivos da crise sobre o eleitor, os quais fortalecerão as suas condições para novo sucesso eleitoral, não devem desprezar a recuperação da popularidade o quanto antes. Eleitores que toleram e compreendem o candidato à reeleição em razão da crise econômica tendem a dar nova chance a ele. Mas para tal realidade existir, é preciso que ele não esteja fortemente impopular.

 

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