11
abril

Artigo – Por Adriano Oliveira


A raposa e o porco-espinho

 

adriano oliveiraO porco-espinho sabe apenas uma coisa. Ele tem a certeza. O porco-espinho não considera outras possibilidades. A raposa sabe de várias coisas. Não tem a certeza. A raposa considera diversas possibilidades. Tais premissas advêm do cientista político Philip Tetlock.

 

Prefiro a raposa ao porco-espinho. Enquanto diversos atores afirmam que o impeachment ocorrerá, opto por mostrar que o impedimento da presidente Dilma ocorrerá ou não. Indicadores diversos mostram que a incerteza predomina. Impedimentos de presidentes da República representam jogos de soma-zero. Isto é: só é possível existir um vencedor.

 

Caso a presidente Dilma sofra o impedimento, o PT cooperará com o governo Temer? Os manifestantes contrários ao impedimento da presidente aceitarão o resultado ou protestarão intensamente nas ruas? E se a presidente Dilma não sofrer o impeachment, a oposição estenderá as mãos para a presidente? Os manifestantes que hoje vão às ruas defender o impeachment aceitarão o resultado e não mais protestarão contra a presidente Dilma?

 

O impeachment, sem “acordão”, não é a solução para crise. Esta é uma obviedade para a raposa. Mas não é para o porco-espinho. O ideal era que após a votação do impeachment, independente do resultado, todos ofertassem voto de confiança ao vencedor e processos de cooperação ocorressem. Mas não vislumbro, neste instante, a cooperação.

 

O impeachment ou o não impeachment poderá provocar consequências institucionais relevantes. Futuros presidentes da República reprovados entre os eleitores e inaptos para o exercício do cargo ficarão sujeitos à mágoa do PT e de outras agremiações. Pedidos de impedimentos, assim como ocorreu na era FHC, voltarão a ser corriqueiros. A instabilidade institucional poderá surgir.  O não impeachment frustrará a expectativa de diversos atores estratégicos. A frustação poderá elevar os conflitos em todos os espaços adequados para manifestações.

 

Qual é, então, a solução para as crises? A raposa, certa vez, sugeriu o “acordão” entre os diversos atores institucionais. O “acordão” pode ser construído com impeachment ou sem impeachment. Mas que tal com novas eleições gerais?

As opiniões aqui expressas são de responsabilidade de seu idealizador

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