Conectar o passado de subsistência ao futuro da sustentabilidade é a proposta da coleção Memórias Costuradas, que chega à passarela do Festival Moda Center, dia 23, em Santa Cruz do Capibaribe (PE). Idealizado pela estilista, modelista e pesquisadora Fátima Nunes, 70 anos, testemunha ocular das primeiras “feiras da sulanca”, o projeto resgata as raízes da confecção local ao utilizar o reaproveitamento de retalhos para a criação de 14 looks exclusivos.
A narrativa da coleção Memórias Costuradas revive a década de 1950, quando mulheres de Santa Cruz do Capibaribe começaram a transformar sobras de tecidos descartados por fábricas têxteis do Recife em roupas e cobertas para suas famílias. O excedente dessa produção caseira era vendido nas calçadas e canteiros do centro da cidade, dando origem ao polo de confecções que hoje abastece grande parte do mercado nacional.

Na passarela, essa história será contada com peças exclusivas como o Vestido Terra, que abre o desfile, representando o solo vermelho do agreste pernambucano. As peças seguintes são inspiradas nas cobertas de quadro, a primeira produção das mulheres de Santa Cruz do Capibaribe, feitas de pequenos retalhos de forma artesanal.
Outro destaque são as peças de malha que remontam à chegada das máquinas industriais no final dos anos 1970 e marca o crescimento tanto da quantidade quanto da qualidade da produção local. O destaque final é um look representando a própria feira da sulanca, que começou nas calçadas, evoluiu para as bancas de madeira e hoje é o Moda Center, um dos maiores centros de vendas de confecção do país.

“A ideia da coleção surgiu do desejo de homenagear a minha cidade, então resolvi contar a história de Santa Cruz do Capibaribe produzindo uma coleção que representa a origem e todo processo de evolução econômica local. Meu desejo também é que as pessoas, principalmente os mais jovens que chegaram aqui depois dessa evolução, conheçam a história da cidade”, explica Fátima Nunes.
O desfile também marca a estreia de Fátima assinando uma coleção inteira como estilista na passarela. Santa-cruzense, mas radicada em Olinda (PE), ela aprendeu na infância a fazer as primeiras peças para bonecas com retalhos descartados pela mãe. Aos 12 anos de idade, a partir de uma foto da namorada do irmão, confeccionou o primeiro vestido e desde então passou a costurar peças sob encomenda e vender na feira da sulanca.
Às vésperas do Festival Moda Center, Fátima irá contar um pouco da sua história e da história de Santa Cruz do Capibaribe aos estudantes da Escola Municipal Ivone Gonçalves de Araújo e do Centro Educacional Infantil Augustinho Rufino de Melo, na terça-feira (22).
A coleção Memórias costuradas foi contemplada no edital da Política Nacional Aldir Blanc Pernambuco e tem apoio financeiro do Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura, direcionado pelo Ministério da Cultura do Governo Federal.



