14
março

“Não cedi às suas chantagens”, diz Capilé para Augusto Maia


Capilé vota contra criação de novos cargos na Câmara, diz que houve acordo entre bancadas e afirma que foi pressionado

Fotos: Janielson Santos.

Durante sessão ordinária na tarde desta quinta-feira (14), o vereador Capilé assegurou que foi ‘chantageado’ para votar favorável a um Projeto de Lei da Mesa Diretora. Em tom pesado em direção ao presidente Augusto Maia, Capilé ainda expôs um suposto acordo entre as bancadas de Situação e Oposição, para aprovação de projetos ‘sem maiores desgastes’.

“Meu voto é contra. Nem Vossa Excelência (Augusto) nem nenhum outro vereador vai manipular o vereador Capilé. Nenhum vai poder chantagear o vereador Capilé”, disse, ao declarar seu voto contrário ao Projeto de Lei 021/2019, que cria nove novos cargos na Casa.

Capilé garantiu que foi pressionado para votar favorável, sob ameaças de demissões de funcionárias da Casa, militantes durante sua campanha eleitoral.

“Com exceção do vereador Capilé, Vossa Excelência pode demitir qualquer um”, disse, acrescentado que seria o próprio presidente o único responsável também por cada contratação.

“O meu mandato pertence ao povo de Santa Cruz do Capibaribe e não é por chantagem que vou mudar meu voto. Não tente pressionar o vereador Capilé”, repetiu, completando que ‘caso as funcionárias sejam demitidas, estará provado a chantagem’.

Durante o uso da tribuna, Capilé ressaltou que realizou a indicação das servidoras, garantindo, porém, que as três indicadas ‘cumprem devidamente suas funções’. Depois, voltou a bater pesado no presidente. “Não cedi às suas chantagens”.

Nem eu, nem você – Segundo Capilé, o acordo entre as bancadas visava a celeridade na aprovação de projetos com interesses de cada grupo: Aliados ao prefeito Edson Vieira não pediriam ‘vistas’ (dispositivo para examinar melhor determinado projeto, adiando, portanto, sua votação) no projeto que aumenta cargos na Câmara, enquanto a oposição aprovaria projetos do Poder Executivo, enviados em ‘Regime de Urgência’.

Interesse governista – Os dois projetos enviados pelo prefeito Edson Vieira à Câmara, dizem respeito à abertura de Crédito Especial e outro dispõe sobre benefícios fiscais ao contribuinte, a exemplo do IPTU. Os dois foram aprovados com 13 votos, apenas com a negativa de Capilé. Os vereadores Helinho Aragão e Jéssyca Cavalcanti, faltaram.

Mais gente – O Projeto de Lei 021/2019, que cria nove novos cargos foi aprovado com 8 votos favoráveis. Capilé e a bancada de situação votaram contrários. Não houve pedido de vistas. Após a sessão ordinária, foi aberta uma reunião extraordinária onde o PL foi aprovado novamente, pelo mesmo número, em segunda e ultima votação.

Sem conversa – Augusto Maia garante que não houve qualquer tentativa de chantagem. O presidente da Câmara afirmou ainda que não trocou mais que cumprimentos com Capilé, durante os últimos meses.

‘Cristal quebrado’ – Fortes aliados nos dois primeiros anos de mandato, os vereadores Capilé e Augusto cortaram relações políticas após a eleição para presidência da Mesa Diretora, em dezembro de 2018. Capilé considera-se traído após articulações que levaram Augusto ao posto.

Capilé e Augusto Maia, em dezembro de 2018, data da votação para presidência da Casa. Arquivo: Blog do Ney Lima.

‘Sem cor’ – Já no início de 2019, Capilé afirmou que não militaria mais no grupo ‘taboquinha’ nem ingressaria no ‘boca-preta’. Ele mantém conversas com empresários e ex-vereadores na pretensão de um terceiro grupo político, eleitoralmente viável, visando 2020.

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