15
abril

Artigo


Fiscalização, desenvolvimento, direitos e deveres

 

Arquivo.

Com praticamente 98% da população vivendo na área urbana do município, Santa Cruz do Capibaribe no agreste pernambucano tem uma das mais expressivas migrações das regiões rurais para o centro urbano. E dois fatores ainda hoje contribuem para que isso aconteça: as muitas oportunidades da atividade confeccionista e as muitas adversidades de se produzir algo no semiárido nordestino.

 

Na capa do Jornal do Commercio do último domingo uma dura notícia “Seca devora a economia”. E enquanto uns sentem este drama econômico apenas via jornais, quem vive no agreste pernambucano sente o drama na pele, na alma e no bolso.

 

A atividade confeccionista do agreste pernambucano ao longo de décadas se mostrou uma das mais exitosas experiências de convivência com a seca e de superação das adversidades de produção no semiárido nordestino.

 

Todavia, no último sábado (13/04/2013) vivenciamos uma equivocada ação fiscal (com força policial) por parte da Secretaria da Fazenda de Pernambuco no Moda Center Santa Cruz. E tudo que esta ação fiscal conseguiu foi tumultuar o Moda Center e a agenda de discursão que vem acontecendo no sentido de criar uma estrutura tributária estadual que permita um incremento nos índices de formalização de micro e pequenos empreendedores no polo de confecção do agreste.

 

Num cenário de crise econômica mundial, a experiência nos mostra que a energia empreendedora não pode ser penalizada, tampouco desestimulada. O Governo de Pernambuco e os mais diversos atores do polo de confecção do agreste precisam dialogar e formatar juntos, uma estrutura tributária produtiva, que permita a formalização vencer a batalha contra a informalidade, sem perder a competitividade da nossa região no mercado de confecção.

 

Por sua vez, mesmo se tratando de uma questão cultural de décadas, os empreendedores precisam entender que a formalização baseada numa estrutura tributária justa é o caminho a ser seguido, para o bem do ambiente empreendedor de Santa Cruz do Capibaribe e do polo de confecção do agreste pernambucano.

 

Ao contrário do que muitos pensam – sobretudo em Santa Cruz do Capibaribe – a questão não é de política partidária. Estamos tratando de política de desenvolvimento regional, de política social, de geração e distribuição de renda, de criação de milhares de postos de trabalho, de melhoria na qualidade de vida das pessoas, de diretos e deveres.

 

Não estamos tratando apenas de compra e venda de confecção, de situação tributária e recolhimento de impostos. Estamos tratando do sagrado sustento de milhares de famílias de dezenas de municípios do agreste pernambucano.

 

Empreendedores e Governo precisam ser parceiros, só assim faremos fluir um real desenvolvimento. Termino este artigo com um pensamento de Kofi Annan, ganhador de um Nobel da Paz “Todos os governos devem incentivar as pequenas empresas – elas criam empregos e fortalecem a sociedade”.

 

 

Bruno Bezerra

Secretário de Desenvolvimento Econômico, Agricultura

e Meio Ambiente de Santa Cruz do Capibaribe.

15 Comentários

  1. auriane disse:

    santa cruz tem que sair da zona de conforto da informalidade e se abrir para o verdadeiro crescimento de forma legalizada

    1. yure dias disse:

      concordo com vc auriane mais nao dessa forma que a fiscalizacao fez !!!

  2. Admilson Gomes disse:

    Sou fã do Bruno Bezerra.
    É o nosso Arnaldo Jabour.

  3. José Bezerra da Costa. disse:

    Pungente e lúcido, Bruno mais uma vez retrata com rara sensibilidade o que deveria ser o foco maior das nossas lutas:
    ” o sagrado sustento de milhares de famílias……..”

  4. veronica disse:

    ninguém posta comentario não é?ou será que todo mundo não consegue interpretar textos? não tem pra onde correr o povo vai ter que se legalisar é o desejo de quem está no poder

  5. Cleonis Moreira disse:

    Muito bem centrato as colocações de nosso Secretario de Ind E Comercio, acrescentando alguns pontos, é bom lembrar que desta produção textil que daqui parte, cria-se milhares de pontos de vendas em todo Nordeste,Norte e parte de sudeste, consequentemente
    milhares de empregos em cadeia. Visto o exposto o Sr. governador lembre-se que com arrocho fiscal sua candidatura ao Pal Alv. fica um pouco prejudicada, não queremos isenção, mas uma situação tributária que não atrapalhe o noosso desenvolvimento.
    Sendo eu o marqueteiro de Dilma, já estaria ligado, nestes
    pontos, porque enquanto Dilma desonera ele arrocha.

  6. sergio disse:

    Está mais do que claro que Bruno, secretario do governo mais perseguidor que Santa Cruz já teve, Edson Vieira, não se importa com o verdadeiro motor de nossa economia, o verdadeiro representante, o verdadeiro símbolo de nosso desenvolvimento, O SULANQUEIRO, aquele que corta suas peças, que costura e embala as mesmas com esposa e filhos, o que levanta de madrugada e coloca sua confecção em um saco e segue para a feira, aquele que verdadeiramente é quem gera emprego e renda em nossa região. Pois bem, se no nosso centro comercial, o qual envolve Santa C. do Capibaribe, Toritama e Caruaru e no nosso produtor que engloba mais de uma dezena de municípios, não houvesse a informalidade que existe muitos desses burgueses que hoje estão ai não estariam na posição que estão, além disso nossos empreendimentos são geridos por uma economia quase que perfeita, onde a concorrência e as oportunidades são equivalentes para todos, pois em que outro lugar se começa um negócio de sucesso, capaz de empregar dezenas e até centenas de pessoas com R$ 1.000,00, com 500,00 ou até mesmo sem dinheiro. Ademais este governo, agora o estadual, que quase nada, absolutamente quase nada traz de benefício para nossa cidade, a quinta maior do interior, o que quer, nos usurpar, nos humilhar, tirar o pão de nossas bocas. Gente em nossa região reside e trabalhar milhares de pessoas, são empregados direta e indiretamente números grandiosos, os quais ajudam os números sociais do Estado. Sendo assim, podemos dizer que do jeito que a coisa vai não é só o SULANQUEIRO que vai quebrar, é o pedreiro que não vai ter mais obras para construir, é o comerciário que trabalha no estabelecimento sustentado pela renda da confecção, é o professor da rede particular que fechará as portas por falta de pagamento das mensalidades, são os funcionários ligados diretamente as fábricas e lojas do setor textil etc.
    De modo que, a SULANCA sustenta toda uma pirâmide, onde ela é não só a base mais também o meio e o topo.
    Porém, essas pessoas que defendem a formalização são secretários da prefeitura que em um primeiro momento aumentaria o recebimento de tributos, a diretoria da CDL que representa apenas os lojistas, o Sr. Valmir que inclusive já foi presidente da ASCAP, o governo do Estado que só quer nos usurpar e alguns poucos que não entendem de economia e muito menos de questões sociais.
    Tudo isto se torna mais evidente pelo fato de em nenhuma reunião agendada com representantes do governo e do município está presente um legítimo SULANQUEIRO, mais sim meia dúzia de ricos e de políticos que vão ao Recife apenas jogar conversa fora e mentir quando chegam aqui, falando que não se preocupem que não haverá arrocho etc.

    1. Gabriella disse:

      É o melhor comentário sobre esse assunto que eu já li. Está de parabéns caro Sérgio.

    2. Eduardo disse:

      Há muito tempo que existe uma completa inversão de valores aqui na cidade… Só falta dizer que pagar imposto é crime…
      Concordo plenamente que as altas cargas tributárias atrapalham e muito o desenvolvimento da região, mas não é dessa forma que iremos combater esse mal.
      Temos que pagar impostos SIM, e lutar por uma carga tributária mais justa. Botem uma coisa na cabeça dura de vocês… Só vão vir benefícios para a cidade quando houver arrecadação de impostos, caso contrário, o que vêm é só migalha, planos de emergências e obras paliativas para sanar algo que já esteja insuportável.
      O pior, que mais desanima, não é o delírio individual de um camarada que sonha que vai manter uma empresa informal para sempre… o Triste é saber que grande parte da cidade torce por isso.
      Se espelhem nas grandes empresas da região… Rota do Mar, Aqualara, Scaven e muitas outras… todas tiveram um crescimento enorme DEPOIS de se formalizarem.
      Parece que só existe a feira para se vender…

    3. yure dias disse:

      CONCORDO COM VC SERGIO PLENAMENTE,SE ESSA PESSOAS NAO SAB O QUE E A VIDA DE UM SULANQUEIRO SO ESTAO PREOCUPADAS COM SUAS PROPIAS VIDAS E POVO QUE SE DANE!!!!!!!!!!!!

  7. ana januário disse:

    é lindo ver esse tipo de comentário, pessoas sensatas e sem politicagens, sem fanatismo políticos, gente sem venda nos olhos e olhos abertos pro futuro, um futuro que se abrirmos a mente e enfrentar o fantasmo da tributação, venceremos e não seremos mais reféns da informalidade. Parabéns à todos que tiveram um pára-quedas na mente.

  8. Cleonis Moreira disse:

    So um concerto em minhas palavras,’bem centradas’

    Cleonis

  9. veronica disse:

    Sergio um texto como o teu, não é só pra tá no ney lima mas em toda rede social, parabens você me representa.

  10. Alisson disse:

    Esse cenário aí é o que Edson junto de Diogo estão trazendo para Santa Cruz. Como se o povo nunca tivesse pago imposto nenhum. Um exemplo, o IPVA, mostrem até hoje alguma obra para nos vangloriar. Do mesmo jeito é essa fiscalização, o governo nunca fez nada com o que já arrecada, imagina com o que virá. Dudu vai fazer sua campanha nacional nas custas do povo de Santa Cruz. Parabéns Diogo e Edson, capachos covardes!

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