18
maio

Em reunião tensa, comerciantes, vereadores e prefeitura expõem novos problemas sobre desabamentos no Calçadão


Medidas para amenizar prejuízos dos comerciantes também foram postas

Nesta sexta-feira (18) foi realizada uma reunião entre comerciantes do Calçadão Miguel Arraes e Alencar, vereadores (das duas bancadas) e setores ligados a prefeitura municipal.

Dentre os representantes da prefeitura estavam: Coordenadoria de Defesa Civil, Controladoria, Chefia de Gabinete, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e também um engenheiro civil contratado pela Prefeitura.

 

O objetivo da reunião eram o de expor e discutir as soluções frente as dificuldades enfrentadas pelos comerciantes que foram prejudicados em virtude dos desabamentos de parte do teto do setor azul do empreendimento.

Desde o mês de fevereiro, em que o teto desabou pela primeira vez, centenas de comerciantes se veem colocados em uma área improvisada no estacionamento do Calçadão e, prestes a entrar na parte conclusiva de reparos, o local em obras acabou desabando mais uma vez, fato ocorrido no último sábado (12).

A reunião durou mais de três horas e foi marcada pelo clima de tensão frente a grande problemática apresentada. O prefeito Edson Vieira também não compareceu, sendo representado pela vereadora Jessyca Cavalcanti e secretários de governo.

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Representantes da construtora não estavam presentes

Um fato que chamou a atenção é que representantes da empresa construtora do Calçadão, Santa Cruz Construção LTDA, não estavam presentes para expor suas justificativas.

De acordo com o vereador governista Irmão Val (SD), que presidiu a reunião, tais representantes não puderam estar presentes em virtude da forma em que a reunião foi marcada, não havendo tempo, segundo ele, para que tais representantes fossem enviados.

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Defesa Civil diz que construtora fez reaproveitamento de material

Durante suas falas, o coordenador de Defesa Civil do município, Bartol Neves, destacou que a empresa responsável teria realizado o reaproveitamento de parte do material que desabou.

“Percebemos o reaproveitamento de parte da estrutura. Na minha opinião, nada deveria ser reaproveitado, porém não tenho conhecimento técnico e científico para dizer se o que foi feito era certo ou não” – disse.

Bartol chegou a falar sobre vistorias durante a fase de reparos e entregou cópias de relatórios que foram confeccionados. No primeiro relatório, feito dias depois do primeiro desabamento segundo ele, foi constatado que itens do teto que desabou estavam sendo reaproveitados.

Entre eles estavam tesouras (estruturas que fazem parte da base de sustentação do telhado) e vigas, além de calhas e telhas.

Em um dos trechos do primeiro relatório, é descrito que as tesouras estavam recebendo reforço com chapas de aço e que, segundo questionamento feito a trabalhadores que estavam nas obras, esse tipo de reparo “seria suficiente e que ajudaria na sustentação do peso da ferragem” do local.

Já outro trecho do relatório de vistoria assinado em 13 de maio (um dia após o desabamento), é reafirmado que “a empresa responsável reaproveitou grande parte do material que havia sido danificado durante o 1º sinistro (ou desabamento), em 16 de fevereiro).

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Engenheiro da Prefeitura fala sobre material reaproveitado e laudos da empresa construtora e Defesa Civil

Minutos depois, foi a vez o engenheiro civil Valdomiro Silveira, da prefeitura, falar sobre o reaproveitamento de material feito pela empresa construtora.

Segundo ele, o material que foi reaproveitado teria sido aquele que não teria sido danificado durante e após o primeiro desabamento.

“Nenhuma das peças reaproveitadas promovia risco a estrutura. A empresa pegou essas peças e substituiu as danificadas. Quanto as telhas, foram colocadas as antigas de volta por falta de tempo e para agilizar a volta das pessoas. Elas seriam substituídas gradualmente. Não se havia necessidade de substituição total dessas peças” – disse.

De acordo com o engenheiro, os trabalhos de acompanhamento da prefeitura aos reparos seguiram como base um laudo que teria sido emitido pelo engenheiro da pela empresa construtora. Nesse laudo, teria sido apontado que haveria a necessidade de se reforçar a estrutura, se fazendo a utilização de chapas de aço.

Para ele, o segundo desabamento comprovaria que houveram erros naquilo que foi apurado anteriormente.

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Demais setores não estão em risco, afirma engenheiro. Porém…

Os representantes da prefeitura foram questionados pelos comerciantes sobre que garantias eles teriam de que o mesmos problemas não iriam acontecer nos outros demais setores.

Segundo os comerciantes, esses locais teriam sido confeccionados da mesma forma e materiais daquele que parte do teto desabou, o que, em tese, geraria receios com relação a segurança e integridade.

De acordo com o engenheiro Valdomiro, os demais não oferecem riscos, mas citou que vistorias devem ser realizadas, sem que haja interdição dos locais.

“Vamos também verificar esses outros setores, mas vejo que não há, hoje, nenhum risco nesses blocos. É claro que sabemos que se precisa de uma análise mais detalhada” – disse.

A possibilidade de se interditar os demais setores também foi negada pelo coordenador de Defesa Civil.

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… Confecção de novo laudo que ateste segurança dos setores não tem data

Um fato que chamou a atenção foi a não resposta por parte dos representantes da prefeitura quanto a um laudo que ateste que a integridade dos outros setores estaria garantida.

O engenheiro Valdomiro foi questionado quanto a um prazo de quando esse laudo poderia sair, mas ele preferiu não dar nenhuma previsão quanto ao caso.

“Quanto a esse prazo, não podemos ainda dar uma resposta” – disse.

Medidas para amenizar prejuízos de comerciantes devem ser adotadas em até 15 dias, diz secretário

Na reunião, também foram colocadas algumas sugestões que poderiam, segundo os comerciantes, amenizar os transtornos em decorrência da permanência no espaço improvisado.

Entre as alternativas estavam: 1) a realocação de comerciantes para pontos que estiverem vagos nos outros setores (boxes e lojas), 2) instalação de tendas alugadas na área de estacionamento e reorganização da área e 3) a possibilidade de se discutir a transferência da área improvisada para dentro de um dos estacionamentos do Moda Center, sob a alegação de se ter um espaço maior disponível.

De acordo com Isac Aragão, secretário de Desenvolvimento Econômico, uma solução para tentar amenizar os prejuízos dos comerciantes deve ser apresentadas em até 15 dias.

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Drama dos comerciantes e incerteza quanto ao futuro

Durante a reunião e também na parte final, comerciantes puderam fazer perguntas e expor seus questionamentos aos representantes do Poder Público.

O espaço também foi usado por eles para outra finalidade: a exposição das dificuldades pessoais enfrentadas com a queda no faturamento das vendas.

Muitos alegaram estar endividados e sem outra fonte de renda, cobrando também dos presentes agilidade para busca de soluções emergenciais já na próxima semana. Dos depoimentos, três podem ser destacados, sendo um de dono de restaurante e dois de proprietários de box.

“Estou falando como dono de restaurante e faz 90 dias que estou sem minha renda. Quero saber da prefeitura o que vão fazer com a gente, para que possamos trabalhar. Zé Nelson (gestor do Calçadão) falou que ninguém das lojas e lanchonetes seria realocado para outro lugar. Comprei tudo de novo, e agora? Como vou fazer para ganhar meu pão? Se errar uma vez é normal, mas duas ou três na mesma coisa é burrice” – disse o comerciante Edson Soares.

“Eu trabalho no setor Branco. Se as vistorias não foram concluídas, como podem dizer que lá não corremos risco? Trabalho com minha mulher e minha filha. Quando vai ser dada essas garantias de que lá e no verde não possui riscos? Quando teremos essa certeza?!” – disse o comerciante Alcimar Feitosa.

“Eu pagava a faculdade de minha filha e agora vou ter que trancar o curso dela? Meu marido está doente, com problemas de coluna, não pode trabalhar. Onde estamos, não tem segurança. Uma das telhas de lá se soltou, caiu quase em cima dos meus pés. Vou viver como agora? Não vou conseguir comprar mais o meu tecido. Porque ninguém fez nada quando se viu que estavam reaproveitando as coisas de lá?” – disse a comerciante Josélia Nunes.

 

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Comissões devem ser criadas para acompanhar trabalhos

Duas comissões compostas com integrantes dos comerciantes e também da Câmara devem ser criadas, de forma provisória, para acompanhamento dos trabalhos realizados de agora em diante.

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