10
setembro

“Pedem simplesmente que eu aguarde”, diz mulher à espera de medicamentos atrasados do governo estadual

Diagnosticada com lúpus em 2012, a paciente adquiriu problemas pulmonares e sofre para receber medicamentos fundamentais para o tratamento

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Fotos: Janielson Santos

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A vida de Wilsineia de Araújo (Néia), 35 anos, mudou drasticamente há cerca de 6 anos, quando iniciaram os problemas de saúde. Após vários exames, e sem saber exatamente do que se tratava, foi diagnosticada já no ano de 2012 com ‘lúpus sistêmico’, doença autoimune que pode afetar pele, articulações e vários órgãos. Uma inflamação no organismo que compromete órgãos, como rins, coração e pulmão, como foi o seu caso.

“Começou em 2010. Mas os médicos não descobriam o que era. Apenas em 2012 fui diagnosticada e adquiri, por isso, esclerose e Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP)”, conta.

Com a hipertensão arterial ela apresenta um quadro de limitações em suas atividades habituais e evita excessos devido ao cansaço, provocado pela insuficiência cardíaca.

Em seus dias regrados à base de medicamentos, Néia faz uso atualmente de 14 medicações diferentes. Ao todo, toma 27 comprimidos diariamente em dosagens que agem no problema e controlando reações.

O drama da paciente aumentou, ainda mais, nos últimos meses, já que o Governo Estadual, obrigado à disponibilizar, de forma gratuita, medicações prioritárias para o seu tratamento pulmonar, parou, desde o ultimo mês de maio, com o envio.

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A medicação principal diz respeito à fórmula do princípio ativo Bosentana, que a paciente precisa tomar em dosagem de 125mg, duas vezes ao dia.

“Essa medicação foi conseguida mediante um mandado de justiça, mas a ultima vez que consegui foi no início de maio. Depois, a informação que tivemos foi que acabou. Eu ligo, e eles simplesmente dizem que não tem prazo, que já foi feita a solicitação para compra, mas sem prazo”, relata e acrescenta a burocracia para ter conseguido seu direito.

IMG_1899De acordo com ela, o médico que lhe faz o acompanhamento, recomendou que ela diminuísse as dosagens, com a intenção de estender o tempo de uso do que sobrou. Porém, assegura que já sente efeitos adversos.

“Devido a esta falta, o médico me aconselhou a reduzir, de duas vezes, para apenas metade de uma, por dia. Mas já está causando alguns sintomas e o medo é que o problema volte para o início, o seu estágio inicial”, diz apreensiva.

Ela conta que antes do remédio passou por um período dependendo, de forma constante, de um cilindro de oxigênio.

“Isso foi evitado com esse medicamento. De certa forma, me deu mais qualidade de vida, sem necessitar do balão”, fala.

Para piorar a situação, mesmo tendo diminuído a quantidade diária das dosagens, o medicamento está previsto para acabar no próximo dia 15 de setembro, ironicamente, no dia do seu aniversário. Isso lhe deixa aflita.

Além do ‘Bosentana’, o governo dispõe o ‘azatioprina’, que ela precisa de 50mg/dia. Este ultimo, nos últimos 9 meses, conseguiu apenas uma vez, diz.

“É sempre a mesma coisa, que não tem prazo para chegar”, fala Néia.

Apenas o ‘Bonsentana’, afirma ela, custa em torno de R$ 5 mil, por mês. Longe de suas condições financeiras. Mesmo quando recebe os medicamentos específicos do Governo Estadual, ela gasta cerca de R$ 930,00 mensais com as demais drogas.

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Essa não foi a primeira vez que a suspensão aconteceu. Algo semelhante houve em 2013. Na ocasião, ela procurou a justiça e uma tentativa de contribuição por parte da saúde municipal de Santa Cruz do Capibaribe.

“Busquei em 2013. Falei com o Secretário (Breno Feitosa), mas existe uma separação da saúde básica, para a saúde especifica, de maior grau, algo mais avançado… onde a saúde municipal não pode interferir. Meu acompanhamento é feito pelo PROCAPE (Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco) e Hospital das Clínicas”, diz.

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Em Santa Cruz, disse não conhecer nenhuma outra pessoa com a mesma necessidade, para o uso dos medicamentos específicos. Com a pressão voltando a aumentar, Néia faz esforços e apelos para que tudo seja restabelecido o mais rápido possível.

“É difícil ficar dependendo de uma droga de alto custo, ver quanto pagamos de impostos e se ver presa a um monte de burocracia. Tristemente, a única coisa que ouço é ‘aguarde’”, finaliza.

Sem resposta

O Blog do Ney Lima entrou em contato, através de e-mail, com a Assessoria da Secretária de Saúde do Estado de Pernambuco. Até o momento, nada foi respondido.

 

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