30
setembro

As histórias de quem fez história no Ypiranga


Ypiranga - Histórias Por onde anda

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“O meu maior problema no futebol foi com a bebida” – revela o ex-atleta Mamá

 

Lateral Mamá

Fotos: Thonny Hill e Arquivo pessoal.

 

O Blog do Ney Lima segue nesta quarta-feira (30), com a série de entrevistas intitulada “Por Onde Anda?”, que tem como objetivo destacar as principais personalidades que fizeram parte da história do Ypiranga ao longo dos seus 77 anos. Com relatos de atletas, treinadores, entre outras pessoas que participaram das alegrias e tristezas do clube, além de relatar o que eles fazem nos dias atuais.

 

Para esta sexta reportagem, a equipe da Avant Comunicação & Mídia recebeu o folclórico e ex-atleta, Mamá, o lateral-esquerdo titular do primeiro título profissional da equipe alviazulina.

 

Márcio Lopes Diniz (45 anos), natural de Santa Cruz do Capibaribe, fala sobre o seu início no Ypiranga e, o mesmo comenta sobre os fatos curiosos e engraçados que aconteceram em sua carreira futebolística, além de relatar o que faz atualmente.

 

Confira a entrevista:

 

Blog – Como e quando você surgiu no futebol e como veio parar no Ypiranga?

 

Mamá – Eu surgir no Ypiranga através da Liga Desportiva Santa-cruzense, mais ou menos em 1987, no qual eu fazia parte do Arrudão, a equipe do Natálio Arruda e, depois eu fui convidado por Carlinhos de Pão de Açúcar, que foi o primeiro treinador com quem trabalhei no Ypiranga, então foram vários anos pelo time e com diversos treinadores que passaram durante a minha carreira.

 

Em pé: Cícero, César, Carlos Eduardo,Marcelo, Raimundo e Mamá. Agachados: Durango, Caruaru, Flávio, Cacá e Valmir.

Em pé: Cícero, César, Carlos Eduardo, Marcelo, Raimundo e Mamá. Agachados: Durango, Caruaru, Flávio, Cacá e Valmir.

 

Blog – Qual era a sua posição e suas principais características?

 

Mamá – Eu jogava de lateral-esquerdo e minhas principais características eram driblar e apoiar muito.

 

Blog – A lateral-esquerda foi opção sua ou você não tentou outras posições?

 

Mamá – Eu joguei também de zagueiro, porém já foi quase no final da minha carreira, mas a lateral-esquerda sempre foi a minha forte posição.

 

img065Blog – Você era considerado um atleta brincalhão e folclórico, o que isso contribuiu no seu rendimento e amizades dentro e fora de campo?

 

Mamá – Eu acho que é boa a alegria com o grupo e, todo mundo gostava das brincadeiras que eu fazia, animava o grupo, todos gostavam de mim e eu agradeço até hoje.

 

Blog – Gostaria que você comentasse sobre uma troca de camisa com o ex-atacante Leonardo do Sport e que envolve até o saudoso Sêu Luiz, conte o que realmente aconteceu?

 

Mamá – A pessoa de Sêu Luiz para mim foi marcante demais, mas nessa historia a gente jogou contra o Sport e eu troquei a camisa com o Leonardo, porém quando terminou o jogo, ele (Sêu Luiz) foi contar as camisas e só faltava a minha e ele me perguntou pelo uniforme e eu respondi que teria trocado com Leonardo e, ele me mandava ir buscar e dizia ‘vá pegar a do Ypiranga e entregue essa porcaria de camisa do Sport’, mas eu com vergonha disse que ‘não iria’. Então ele foi e conseguiu pegar, mas eu não mandei a minha não.

 

Blog – O que realmente ocorreu em um fato de que você teria saído do vestiário do Ypiranga com um uniforme completo e se dirigiu até um bar da cidade?

 

Mamá – Foi em um jogo contra o América, a gente estava no vestiário e meu pai tinha tomado uma cerveja a mais e, então ele chegou no vestiário reclamando, pois teria pago para entrar dentro do estádio. Ele disse que pagou para entrar e chegou lá brabo, porque o filho dele iria jogar e não queria ter pago. Quando foi no final do jogo, ele foi me buscar dentro dos vestiários e eu sair com ele com o uniforme completo, então fomos até o Cantinho da Amizade* para tomar uma cerveja e fiquei por lá até a madrugada, porém quando foi no outro dia, eu fui escanteado por Zé Nelson.

 

Blog – Qual foi o momento mais importante da sua vida como jogador de futebol e quais foram os principais títulos que você conquistou na carreira?

 

Mamá – Meus principais títulos foram quando fui campeão da Segunda Divisão do Campeonato Pernambucano em 1994, pois foi o primeiro time a subir e depois foi quando fomos campeões em 1997 da Copa do Interior de Profissionais, essas foram as minhas marcas principais no Ypiranga. Já na minha carreira, eu jogava pouco na Liga, pois eu atuava pelo Ypiranga e era muito difícil ele participar, mas eu fui também campeão em 2001 pelo Evical, que era o time de Edson Vieira.

 

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Cada camisa um patrocínio diferente. Em pé: Raimundo, Robson, Wellington, Mamá, Baiano, Jorge Soares e Antônio Carlos (repórter); Agachados: Diniz, Hugo Henrique, Marquinhos Garanhuns, Pitter e Alex Olinda.

 

Blog – Você foi sondado por alguma equipe e quais foram os motivos que lhe fizeram abandonar o futebol profissionalmente?

 

Mamá – Eu joguei profissional pelo Ypiranga, mas tive convite para atuar pelo Vitória de Santo Antão, também teve o Campinense (PB), uma vez alguns dirigentes vieram aqui em Santa Cruz, mas não vou mentir, o meu maior problema no futebol foi com a bebida.

 

Blog – Quais foram os melhores atletas que você atuou ao lado ou mesmo jogou contra?

 

Mamá – No amador sem dúvidas foram, Papaco e Tantinha que eram bons de bola, já no profissional tive vários, mas eu destaco Raimundo de Jataúba, Marcelo era um jogador muito bom, Gaúcho o centroavante, Cacá, Flávio Balbino, Valmir de Pão de Açúcar, teve vários se for falar aqui, nós passamos o dia todo e peço desculpa aos outros que não lembrei.

 

1990

 

Blog – Qual a diferença da época em que você jogava em relação ao futebol atual?

 

Mamá – Eu acho que a diferença é a vontade de jogar, a gente não recebia muito dinheiro, meu primeiro salário foi R$ 26,00, me lembro como se fosse hoje que era a metade de um salário mínimo e, ainda era descontado um imposto, passamos então a receber R$ 21,00, então quando a gente recebia já estava devendo o dobro. Naquela época, nós nunca dependíamos de dinheiro, jogávamos mesmo era com a vontade, força e garra, era campo cheio, e dificilmente nós perdíamos dentro de casa.

 

Blog – Qual o seu maior orgulho e a maior decepção no futebol?

 

Mamá – O meu maior orgulho foi ter conquistado esses dois títulos que citei, jogar quase 15 anos no amador e profissional. Já a minha maior decepção não foi naquele tempo, e sim é hoje em dia, é você ver um Domir pagar para entrar, é eu ser barrado às vezes, eu não sei se a culpa é da diretoria, é ver um Joninha de Botija se barrado, Toinho de Zé Néo não poder ir ao campo. Eu acho que nós deveríamos ter uma carteirinha para não precisar dar trabalho a ninguém, e minha maior decepção até hoje é essa.

 

Blog – O que Mamá exerce atualmente na vida?

 

Mamá – Eu sou cortador há mais de 25 anos, eu jogava pelo Ypiranga e trabalhava como cortador ao mesmo tempo e, atualmente sou cortador e me sinto muito orgulhoso por isso.

 

 

*Cantinho da Amizade (Bar localizado na Avenida 29 de dezembro entre as décadas de 1980 e 1990).

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