11
junho

Artigo – Por Maurício Romão


O PSDB em Pernambuco

 

As eleições de 2018 no Brasil para presidente, deputado federal e deputado estadual acenderam a luz amarela nas hostes do PSDB, provocando discussões internas entre os fundadores da sigla e alas liberais e conservadoras quanto à necessidade de renovação ou mesmo refundação do partido.

Com efeito, a agremiação teve um resultado eleitoral bisonho na corrida à presidência* e viu sua bancada de 54 representantes na Câmara dos Deputados eleitos em 2014 diminuir para apenas 29 em 2018.

Nas Assembleias Legislativas o desempenho da sigla também deixou a desejar: os 9.394 mil votos obtidos em 2014, quando elegeu 94 deputados estaduais, transformaram-se em 6.871 mil em 2018, resultando na eleição de 73 parlamentares (27% a menos de votos e 24% a menos de representantes).

A eleição de Bruno Araújo para o comando nacional do partido, patrocinada pelo governador João Dória, se insere no contexto de soerguimento da sigla e, paralelamente, de fortalecer a postulação presidencial do mandatário paulista.

Em Pernambuco o partido vem perdendo musculatura eleitoral em passado recente, registrando declínio de votação para os cargos proporcionais. O caso que mais chama à atenção é o de deputado federal. A agremiação obteve 413.047 votos em 2014 e conquistou três vagas na Câmara dos Deputados. Na eleição seguinte, a de 2018, a votação caiu vertiginosamente para 46.141 votos e o partido não teve nenhum candidato eleito.

Como daqui para frente as coligações proporcionais estão proibidas, os psdebistas terão imensa dificuldade de ascender ao Parlamento Federal na próxima contenda proporcional. De fato, com um possível quociente eleitoral gravitando no entorno de 173.215 votos, a sigla teria que quase quadruplicar sua votação (relativamente ao ano passado) em 2022 para fazer apenas um deputado federal.

A nível estadual, o PSDB conseguiu eleger um deputado em 2018, ainda que sua votação de 94.307 votos haja caído cerca de 60% em relação ao pleito passado, que foi de 234.108 votos. Se ao menos replicar em 2022 a quantidade de votos obtida anteriormente, poderá manter sua representatividade unitária na ALEPE, caso o quociente eleitoral permaneça nos arredores de 92.070 votos.

Na capital pernambucana o partido tem exibido votação consistente para vereador, embora ligeiramente declinante de 2012 (45.969 votos) a 2016 (41.826 votos), quando garantiu dois parlamentares em cada um dos pleitos. Repetida essa votação de 2016 no próximo ano, o PSDB se credencia a eleger um vereador com folga, mas só pode almejar uma segunda vaga se seus votos forem da mesma ordem dos de 2012, já que o quociente eleitoral deve circunscrever-se às imediações de 22.397 votos.

Ainda no contexto da proibição de alianças proporcionais, considerando os seis maiores colégios eleitorais de Pernambuco, o PSDB, deve eleger em 2020 pelo menos um vereador em cada um dos municípios de Recife, Jaboatão, Olinda e Paulista, mas terá dificuldades em Caruaru e Petrolina. Isso na suposição de que o partido replique no ano que vem desempenho eleitoral aproximadamente semelhante ao de 2016 e que os quocientes eleitorais gravitem no entorno daqueles registrados no pleito passado.

O presidente nacional do partido dissolveu o diretório de Pernambuco e está recompondo sua executiva, certamente visando melhorar o desempenho eleitoral da sigla localmente. Do ponto de vista das eleições proporcionais, será tarefa árdua, como se viu pelos números desfilados.

*O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, teve no primeiro turno da eleição presidencial um pouco mais de 5 milhões de votos (enquanto o líder, Jair Bolsonaro, ultrapassou a casa dos 49 milhões), correspondendo a apenas 4,8% dos votos válidos. O interessante é que apesar do candidato psdebista exibir na campanha, pesquisa após pesquisa, intenções de voto abaixo de dois dígitos, qualificadas análises relativas ao segundo turno insistiam em apontar para a reedição da antiga polarização PT versus PSDB pela sétima vez consecutiva, tendo-se como certa a paulatina desidratação da postulação do PSL. Essa perspectiva se assentava nas estruturas que sempre embalaram as candidaturas destas duas agremiações. Para se ter uma idéia dessas estruturas, a aliança do PSDB com mais oito partidos gerou uma mega engrenagem de captar votos, espraiada pelo país afora: 30% dos governadores, 54% dos prefeitos, 52% dos deputados federais, 41% dos deputados estaduais, 49% dos vereadores, 40% dos senadores, 48% do fundo eleitoral e 44% do tempo de rádio e TV. O resultado é de todos conhecido. O PSDB foi uma decepção, o PT ainda conseguiu ir ao segundo turno (mais pela força do lulismo), e o PSL, um nano-partido, ganhou a eleição com folga, em virtude de que o seu candidato capitalizou junto à população as insatisfações e sentimentos de antigoverno, antipolítica e de mudanças que grassavam urbi et orbi e, ademais, incorporou o estandarte do antilulopetismo, bombando na preferência dos eleitores.

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